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Acabou-se!

por o que procuro, em 31.07.14

Foi ontem, o dia da última toma do medicamento anti-depressivo que tomei durante os últimos três anos e meio.

Esta fase do desmame foi muito complicada para mim, por tudo o que acarretou, afinal aquilo não passa de uma droga à qual o corpo se habituou e é um processo longo e difícil deixar de a tomar, de uma forma considerada saudável e possível para quem o faz.

 

Foi com relutância que comecei a tomar medicação para a depressão, não que não tivesse consciência do que era e do estado em que me encontrava quando iniciei a sua toma, mas pela adição que sabia que provocava, por tornar real aquilo que sentia e sobretudo pelo facto de não conseguir ultrapassar a situação por mim própria,  mesmo com a psicoterapia.

 

No início não se sente o efeito, a toma inicial também é feita gradualmente, deve tomar-se no mínimo durante 6 a 9 meses para que realmente faça algum efeito e fez, senti melhoras, bastantes, mas digamos que também tem o reverso da medalha, os efeitos secundários, o sono, mal-estar, irritabilidade. Se porventura acordasse durante a noite, estava sujeita a uma sensação de torpor, além de parecer que andava em cima de algodão ou rever sombras à minha volta, como se estivesse noutra dimensão.

Além de que a minha energia matinal e o bom humor se terem desvanecido consideravelmente.

 

Digamos que o desmame agravou esta sintomatologia e os últimos dias que tomei a medicação provocavam-me ansiedade e sofrimento, pelo mal-estar que me iriam causar.

 

Agora, acabou-se...

 

Não estou tranquila, antes pelo contrário, reconheço que agora terei de caminhar sozinha, sem coadjuvantes e sei que não vai ser fácil, a depressão é um estado e quem é diagnosticado sabe que as recaídas estão sempre à espreita.

Havia a possibilidade de ficar a tomar a medicação, numa dose muito reduzida, apenas para manter um certo equilíbrio, mas questionei-me muito sobre os benefícios de tudo isso, na medida em que com o desmame senti-me mais "eu", senti a realidade de uma forma nua e crua, como há algum tempo não vivenciava.

Isto por vezes é assustador! A questão está em arranjar estratégias que me permitam lidar com tudo o vivo e que há de vir, sem me deixar afectar, como deixei que acontecesse no passado...

 

Agora é viver um dia de cada vez, contar com o apoio incondicional do amor da minha vida, da minha psicoterapeuta e repetir em jeito de mantra a Oração da Serenidade:

 

 

oracaodaserenidade-completa.JPG

 

 

 

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publicado às 16:50

Semana de pernas para o ar...

por o que procuro, em 07.09.11

Eu já sabia de antemão que esta semana iria ser assim, com a criatura comigo cá em casa até quarta, ter de ir trabalhar na quinta e na sexta, altera logo as rotinas todas.

Não estava a contar que este mal-estar tomasse conta de mim, não me apetece fazer nada, nem sair de casa, é de tal ordem, que até passar por debaixo do chuveiro é uma obrigação... Tenho as unhas numa lástima, o cabelo idem...

 

E as coisas têm obrigatóriamente de andar para a frente, a comida, a roupa, a casa... O que isto me custa e pesa...

 

«É a mesma voz de sempre insinuando
Que não é mais possível ser feliz;
É o mesmo adversário te privando
Das bênçãos debaixo do teu nariz;
É a vida repetindo a melodia
Do cântico de angústia e depressão;
É a mesma batalha de todo dia
De acordar e encontrar motivação;
É a chance novamente de escolher:
Calar vendo o silêncio te vencer?
Cantar, mesmo que em meio à escuridão?
Viver? Sobreviver? Filosofar?
Desistir antes mesmo de tentar?
A escolha estará sempre em tuas mãos...»

 

Autor: Ederson Peka (daqui)

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publicado às 16:59

A depressão e eu

por o que procuro, em 18.06.11
Ainda não se foi embora, nem irá tão depressa, sinto-a em mim, como uma nódoa negra que teima em não passar e de cada vez que se lhe toca, dói.

Há dias que o dia está mentalmente estruturado, as tarefas definidas e delineadas, só falta pôr mãos à obra, as mais óbvias são cumpridas, mas as outras, aquelas mais minhas, arrastam-se pelo dia, a apatia toma conta de mim, a lentidão e a fraqueza acenam-me com a bandeira para que simplesmente não concretize o que tinha planeado.

 

E instala-se a luta e a ambivalência, se por um lado cedo e não faço o que tenho planeado, no final do dia sinto-me culpada ("mais um dia que passou e não fiz nada por mim"), se as concretizo, faço-o com um esforço enorme e a muito custo, com humor e um estar que não me reconheço...

 

Mas, e há sempre um mas, se, mesmo que "arrancado a ferros" o que foi planedo, é concretizado, o final do dia sabe a "obra feita" e o bem-estar supera o resto, por isso, vou ali pôr música a tocar e arranjar força anímica para trabalhar...

 

 

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publicado às 14:15

A escalada da montanha

por o que procuro, em 08.06.11

Quis reiniciar o blog, voltar a escrever, mas faltou-me o melhor: a vontade.

 

Nesta escalada que estou a fazer, da montanha que é a depressão, dei-me conta, ultimamente, que tenho consciência de mim, do que sou e do que estou a fazer a mim mesma, pior, o escrever o que sinto, faz-me ter ainda mais consciência...e fujo disso, como o Diabo da Cruz!

Qual avestruz que mete a cabeça na areia, para não ver o que a rodeia, assim eu quereria estar na minha zona de conforto para todo o sempre, sem enfrentar o que sinto, nem o que sou, na esperança de que o amanhã traga uma solução mágica.

 

Mas os amanhãs sucedem-se, um após o outro e passam semanas, meses e quase um ano, desde que me senti a baixar os braços, a afundar-me num buraco sem fundo. E hoje quando reflicto em tudo isto, dou-me conta que reencontrei a criança que existe em mim, a chorar abandonada, que desistiu de si, porque também todos os outros o fizeram, que quer amor e carinho e não o encontra em lado nenhum e eu não soube o que fazer dela...

Agora sei que precisa de alento, de ânimo, de amor, de calma, de acreditar que o que não foi, hoje ainda pode ser e a adulta na qual se transformou, não pode deixar que a sua dor a maniete, mas tem que arranjar forma para transformar este sofrimento no propulsor para lutar pelos seus objectivos de vida!

 

De modo que me sinto no topo de montanha e ainda me falta descer uma encosta, para chegar ao caminho que ainda não vejo, mas que sei que quero trilhar.

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publicado às 15:26


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