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O último acto

por o que procuro, em 02.10.12

Ao que parece o Coro teve a sua última prestação, só falta mesmo oficializar junto do Pároco.

 

Sinto-me como se estivesse sentada numa sala, a assistir ao último acto de um espactáculo, do qual fiz parte, que ajudei a encenar, a preparar e agora, quando se tocam e cantam os últimos acordes, fui-me sentar, longe, onde nem os meus aplausos de pé e em lágrimas se fazem ouvir.

 

Não haverá mais encontros ao Domingo, ao 12h30 no sítio do costume, nem ouvir músicas e pensar que ficariam bem nesta ou naquela celebração Eucarística, nem ouvir o salmo no sábado para cantar no Domingo, nem servir a cada Eucaristia daquela forma tão própria que só nós sabíamos tão bem fazer.

 

É como se me tivessem anunciado que alguém por quem nutro um carinho muito especial e a quem me tivesse dedicado, tivesse falecido e fruto desta distância que a vida me trouxe, não pudesse assistir ao último acto fúnebre do ADEUS...

 

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publicado às 14:26

Acho que estão a chegar os dias do fim

por o que procuro, em 21.09.12

Tenho a sensação que andei anos, anos (!) a liderar o Coro da Missa das 12h30 da minha Paróquia, a remar para a frente, a marcar ensaios, a procurar músicas novas para ocasiões especiais, a aniquilar fins-de-semana porque era ali que tinha de estar, a sentir a cada Domingo a obrigação, o dever e o direito de ir, de dar o melhor de mim, de fazer com que mais três ou quatro fossem, para sermos Igreja e animar a Comunidade.

 

Assim que tomámos a decisão de emigrar, foi das primeiras coisas que ouvi pessoalmente e que soube mais tarde ter sido comentado por terceiros: com a saída dela, o Coro das 12h30 vai acabar!

E senti um aperto enorme no meu coração, porque nunca quis acreditar nisso, porque sabia que os poucos que estavam o Coro lhes fazia tanto sentido como a mim, porque queria acreditar que ainda era possível uma renovação, um acordar para a realidade por parte daqueles que já tinham esquecido o coro.

 

Mas no fundo, a consciência pesou e falou mais alto e na última Eucarístia a que assisti, ao despedir-me do Pároco, implorei: olhe por eles, porque este coro é tudo para alguns e é muito mais ainda para a Comunidade e com a minha saída, não sei como será...

 

Hoje sei que foram palavras ao vento e o que eu mais temia, julgo estar a acontecer, as pessoas estão cansadas, tristes e desamparadas.

Num grupo que totaliza quase 15 pessoas, são sempre as mesmas duas ou três vozes a estarem presentes, a mesma pessoa a tocar viola.

Não existe disponibilidade, nem responsabilidade por parte dos restantes, os que estão presentes acabam por arquear com tudo e sentirem o peso da culpa, quando querem ter tempo para outras actividades.

 

Se calhar foi melhor assim, se eu não saísse arrastar-se-ia uma situação que já por si era penosa, contudo sinto uma profunda tristeza neste desfecho, embora saiba que ainda nem todos disseram: Basta! Julgo que estão a chegar os dias do fim...

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publicado às 12:45

Esta minha maneira de ser...

por o que procuro, em 08.02.10

Tínhamos falado, nas quatro paredes da minha casa, que no próximo domingo iríamos dar uma volta, se não houvessse presenças suficientes no coro para animar a missa, como já se tornou  habitual, nos fins de semana prolongados e mesmo nos que não o são!

 

Assim, ontem, depois de acabar a missa e como eramos mais do que o habitual, questionei quem estaria no próximo fim de semana, alguns mesmo com férias marcadas não têm programa, outros apenas têm o fim de semana, logo, apercebi-me que estaria toda a gente presente, além do Prior estar de férias e autorizar a "nossa folga".

 

E o que é que eu fiz??

Digam-me lá??

 

Pois, fui logo tratar de arranjar programa para irmos todos almoçar a algum lado, uma actividade para todos no próximo domingo!!!

 

Passado umas horas pus a mão na consciência e pensei, muitos deles aparecem quando não têm mesmo mais nada para fazer, grande parte das vezes não vêm à missa, nem sequer avisam de que não estarão presentes e eu passo a vida a queixar-me disso!

E depois na primeira oportunidade que tenho de fazer o mesmo, de dizer não contem comigo porque não estou cá...não, arranjo um programinho para toda a gente ir...

 

Cristo!! Não fui capaz de encarar o facto, ao menos uma vez, de me desagarrar daquilo, deles, sei lá de quê, de ir à minha vida, ficar em lisboa, mas ir fazer qualquer coisa que não fosse estar ali, sacudir a responsabilidade, pelo menos uma vez!

Não satisfeita pelo facto de ficarem ali todos, tive de arranjar alguma coisa para fazermos em conjunto. Ter de organizar tudo, o que vamos fazer e onde, combinar horas e avisar toda a gente e mais, ter a certeza que pessoas que não vemos há imenso tempo, vão estar presentes, nesta actividade extra, que EU tive a feliz ideia de organizar.

 

Mas que mania tenho eu de me meter nestas coisas, sempre a pensar nos outros...

 

E agora??

 

Agora, vou descalçar a bota, até porque ainda não sei se o meu marido terá direito à segunda-feira e nesse caso, vou visitar os meus pais e mesmo que não tenha, fico, mas no Domingo, ali não me apanham... Ao menos uma vez, sem culpa, sem queixas, sem mágoa...

 

 

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publicado às 09:40

Carta aberta ao Coro

por o que procuro, em 11.01.10

Uma simples carta que eu deveria ter t... ou coragem para escrever e enviar, mas como não tenho, e às vezes acho que não o devo fazer, por tantos motivos e mais um, mas porque preciso de extravasar o que sinto e este meu canto serve para isso mesmo, aqui fica:

 

"Carissímos,

 

No passado Domingo, a nossa paróquia não teve coro na missa das 12h30, porque supostamente não havia violas e porque das 3 pessoas que seguram serena e habitualmente as pontas, eu não podia estar presente e não iriamos deixar 2 pessoas a assegurar o coro.

 

No passado Domingo, fui à missa, numa Igreja perdida no interior do nosso país e estavam 12 pessoas, com um órgão e uma viola a animar a celebração, apesar do frio que estava e da neve que caía, aquecemos o coração e a alma e a Comunidade louvou a Deus, com a ajuda daquele Coro.

 

Acredito que se perguntássemos a cada um deles se queria estar ali, talvez grande parte dissesse que estaria melhor em casa, à lareira ou no quente da cama, mas foram, cantaram, prestaram um serviço e decerto sentiram na alma e no Espirito a Sua presença e o Seu Louvor.

 

E nós??

 

Eu sinto que nós cedemos à rotina: à família, ao trabalho, ao amor, à vida que nos arredou do que é verdadeiramente essencial, da nossa Comunidade, que ainda e sempre espera por nós, mas de nós mesmos, ou porque não dizê-lo: de Deus.

 

Já não sei que lugar é que Ele ocupa em cada um de nós.

Já não sei se é por ele, por nós ou por nada, que vamos a cada Domingo ali, ou simplesmente não vamos.

Já não sei que esperamos d'Ele e Ele de nós.

 

Mas sei que neste Domingo vi e senti, o muito que Ele faz nos outros, o muito que Ele ainda pode fazer por nós...se simplesmente nós deixássemos, ou quisessemos...

 

Até Domingo."

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publicado às 10:43


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