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"A Gaiola Dourada"

por o que procuro, em 03.09.13

Assim que o li nos meios de comunicação acerca deste filme, pensei, tenho que ver, afinal retrata a vida de um casal de emigrantes portugueses dos anos 70 para Paris, quão similar é daquilo que vivi?

 

Com clichés ou sem, revi imenso dos meus dias, a minha mãe a puxar o carrinho das compras, também ela porteira num prédio, a tomar conta dos miúdos, passar a ferro a roupa daquelas famílias, limpar as casas, as escadas, os vidros. A fazer comida cedíssimo para o meu pai levar a marmita, também ele José, a trabalhar num "chantier"...tão real!

As fofoquices das vizinhas, os portugueses por todo o lado, se bem que no bairro onde vivíamos não havia muitos portugueses, alguns na nossa rua, com quem nem sequer nos dávamos, a forma estranha de falarem francês, o português atabalhoado e cheio de palavrões, nós os filhos, sem vontade de regresso...

 

E depois o confronto com a possibilidade de ir embora, que irá ser daquelas pessoas, para quem se trabalha, dos miúdos, da casa, de tudo, o que irão pensar?

 

Os meus pais regressaram, para uma quinta, comprada e cultivada com esforço, uma casa construída a pulso e a saúde da minha mãe já muito debilitada, aliás foi só por isso que eles vieram, as condições climatéricas de Portugal poderiam em muito ajudar a estabilizar a doença da minha mãe, ao contrário da já existente poluição da capital francesa.

 

Foi uma reviravolta nas relações, o não acreditar que eles viriam, o descrédito no património que eles possuíam, um sem fim de negociações.

Anos mais tarde regressaram em visita e verificaram que foram lindamente substituídos por quem soube fazer valer bem melhor os seus direitos e condições habitabilidade na "lodge", além de cada família ter seguido o seu caminho sem nunca terem perguntado o que teria sido feito da "Maria e do José"...

 

Julgo que no fundo foi disso que tomei consciência com o filme, de que nunca os meus pais (e tantos outros emigrantes daquela altura) foram respeitados enquanto pessoas, ou reconhecidos pelo mérito que tinham, eram apenas pessoas subservientes, que trabalhavam bem, que punham tudo o que eram e tinham no que faziam e apenas isso interessava aos patrões.

 

 

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publicado às 15:41


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