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O silêncio da culpa dos inocentes

por o que procuro, em 09.04.13

Há mulheres que carregam uma fardo de culpa, silencioso, anos, vidas a fio, fruto de maus tratos, abusos, físicos, psicológicos vindos dos mais variantes seres humanos que com elas se cruzam e cruzaram, progenitores, avôs, tios, primos, vizinhos, amigos...

Concerteza que também haverá homens nesta situação, mas as mulheres são a realidade que melhor conheço e com quem mais partilho estas vivências.

 

É um fardo de culpa que não é nossa, nem delas, não nos pertence, foi-nos imposta por gestos, atitudes, palavras e acções de outros, que as praticam com leviandade sem muitas vezes perceberem o mal que estão a infligir ao outro, o trauma que causam que como marca indelével, dificilmente se apagará de nós.

 

São anos a agonizar em segredos, que retiram sono, estabilidade emocional, auto-estima, confiança, apenas partilhados com algumas pessoas, que nos revelam alguma confiança, ou passaram pelo mesmo, mas podem até ser silenciados no nosso íntimo para sempre.

 

Tudo isto faz de nós pessoas diferentes, mais fechadas, que erguem muros à sua volta, com dificuldades em singrar nalgumas áreas da vida, nomeadamente na afectiva, mas cujo segredo e mal-estar acaba por transparecer em tudo o que se faz e é, sempre titubeantes, inseguras, por vezes ríspidas com os outros e sempre, mas sempre à procura de verdadeiros afectos, daqueles que nunca chegámos a ter na devida altura, do amor incondicional e protecção de quem, por norma deveria estar lá e não esteve.

 

Esta busca incessante de amor, que no fundo é disso que se trata, é colmatada das mais diversas formas, a comida julgo ocupar um lugar de topo nesta busca, os problemas de peso verificados nas pessoas que carregam este tipo de traumas são disso exemplo, há depois toda uma longa lista de situações como as relações amorosas instáveis e complicadas, relações interpessoais medíocres e de "paz podre" onde se tenta ser o que os outros querem e não aquilo que verdadeiramente somos.

 

Julgo, melhor, acredito, que tudo isto possa ser amenizado, com psicoterapia à altura, leva anos, dependendo obviamente das situações, além de moroso é um processo sofrido e difícil, não se faz sem apoio, nem na solidão.

Mas é possível, viver sem as amarras da culpa que nos foi infligida, resgatar o nosso verdadeiro EU, perdido algures no meio da declaração de sobrevivência que fizemos para chegar onde estamos, deixá-lo florescer e existir em plenitude, olhar para trás e sentir que conseguimos! Apesar de tudo conseguimos ultrapassar um obstáculo, que se vislumbrava intransponível!

Haja coragem e força para iniciar essa dura caminhada...

 

Somos feitas destas marcas indeléveis, que nos constituem, fazem parte de nós, mas não nos destruíram, porque nós não deixámos...

É por isso que um dia, ainda vou fazer uma tatuagem...

 

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