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Vamos lá ver se nos entendemos!

por o que procuro, em 29.08.12

Desde que emigrei tenho lido e ouvido tanta coisa, desde o fabuloso "os ratos são os primeiros a abandonar o  barco", porque o nosso país precisa é de quem fique a lutar para que as coisas melhorem e não de pessoas que fujam dos problemas e traiam a pátria! Até ao optimístico  jargão de que "em Inglaterra é que é bom, é tudo fácil e já devemos estar ricos"!

 

Se às pessoas cabe a liberdade de dizer e escrever estas coisas, também a mim me dá o direito de ter uma opinião e perspectiva muito própria sobre isto tudo.

Eu não sinto que em momento nenhum tenha traído ou abandonado Portugal, considero que o país não tinha mais, nem melhores condições de vida para a minha família. Se lutei por elas?

Vejamos, tenho uma licenciatura em Serviço Social, os currículos e candidaturas espontâneas que enviei devem ter ultrapassado as mil, as respostas que tive, estão guardadas num dossier e não devem ter chegado às dezenas, de concreto tive um estágio profissional financiado pelo IEFP, numa IPSS, que se revelou uma fraude, onde convivi com abusos de poder e corrupção.

Depois disso, continuei a bater às portas e a mandar cv, sempre sem resposta, acabei com um part-time (ilegal) num atelier de arquitectura paisagística, ao que se seguiu um emprego num escritório de advogados sempre como administrativa.

 

Às vezes penso que não me soube "vender" devidamente, não alinhei em cunhas e compadrios e fiquei a perder, a esta altura poderia estar como técnica de serviço social, numa qualquer instituição, por força de amiguismos e a rir-me para a crise, com emprego garantido, mas adiante...

 

O meu marido, a trabalhar numa empresa de consultoria, estava no escritório, sede da mesma, sem projecto atribuído porque não havia nada no mercado de clientes no momento, para os conhecimentos que ele detinha.

Fizeram-lhe a primeira proposta para ir desempenhar funções, num cliente no estrangeiro, o qual recusámos, por ser um país europeu, mas longínquo e do qual nem a língua conhecia.

Conscientes de que este negar da proposta não iria repetir-se, dado que as empresas hoje em dia não se dão ao luxo de terem pessoas paradas, só porque estas não se querem sujeitar ao que lhes querem oferecer, surge a proposta para vir desenvolver um projecto num cliente no Reino Unido, durante três meses.

 

Assola logo à mente das pessoas que devia ter tudo incluído: deslocações, estadia, mais as ajudas de custo a acrescer ao vencimento mensal.

Desenganem-se, reembolsaram a viagem no início e no fim do projecto, a estadia foi por nossa conta e as ajudas de custo, não chegaram para custear a estadia, a alimentação, uma viagem que fez a meio e outras despesas.

 

O sentimento de logro começou a fazer sentir-se na nossa pequena família, separados por quase 3000 quilómetros, sujeitos a peripécias diárias e a verificarmos no fim do mês que a nossa liquidez, não cobria as despesas a que estávamos sujeitos.

Começámos a pensar se não seria mais viável sairmos do país, até porque terminado o projecto, o que iria ser proposto ao meu marido, seria novamente uma estadia noutro cliente qualquer, no estrangeiro e sujeito às mesmas condições! Continuaríamos a estar separados, sem perspectivas de que isso viesse a ter fim.

 

Ponderada que foi a questão e tomada a decisão, o meu marido foi transferido pela empresa de consultoria, para a sede no Reino Unido e acabou por desempenhar as mesmas funções, no mesmo projecto em que estivera, na mesma empresa.

Eu deixei um emprego, sem grande estabilidade, que não me realizava nem pessoal, nem profissionalmente, onde na realidade só estava por necessidade de um vencimento no final do mês, que mal chegava para pagar a creche do meu filho!

 

Perante o quadro familiar e profissional que vivemos naquela altura, julgo que tomámos a decisão que nos pareceu mais acertada.

Se foi a melhor, ainda não sei.

O investimento para chegar aqui foi grande, a todos os níveis e não sei se alguma vez o iremos recuperar.

 

A vida aqui é mais fácil?

É diferente! O dinheiro aqui, como em qualquer lado, conquista-se a pulso, não é fácil, nem é tudo bom, como aparenta ou como se pensa.

Julgo que nunca contei os tostões como agora, porque ainda temos mais despesas, o encargo de duas habitações, fora alimentação, calçar, vestir, creche e extras, onde se enquadram as viagens duas vezes por ano, pelo menos para ver a família.

 

Pese embora que as oportunidades aqui existem, que a organização e estrutura dos serviços seja diferente, que haja outra atenção perante os cidadãos e as suas necessidades, o tempo meteorológico é deprimente, o estar longe da família e dos amigos é das coisas que mais custam a ultrapassar e passado 7 meses desta aventura ainda não sei mencionar se valeu a pena.

 

Não quero com este longo post, justificar-me perante as pessoas que comodamente opinam sobre o facto de termos emigrado ou sobre a vaga de emigração se faz sentir em Portugal, quero apenas deixar explicito o meu sentir sobre tudo isto.

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publicado às 14:02


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