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Só uma fase

por o que procuro, em 12.05.14

Corria o ano de 2010 quando em desespero de causa me sentei no consultório da minha médica de família da altura, os dias arrastavam-se uns aos outros, não tinha vontade de fazer nada, chorava sem motivo aparente, estava desempregada, o meu filho com 18 meses tinha iniciado há pouco a creche e a minha casa tornara-se no meu único refúgio.

 

O diagnóstico certeiro e assustador chegou: depressão.

Esse "lobo mau" que tanta gente atormenta tinha-me atingido a mim e explicava o fundo do poço onde me sentia e dizia encontrar-me.

Fui logo medicada e por iniciativa própria retomei a psicoterapia que anos antes tinha tão orgulhosamente deixado como sinal de autonomia e crescimento próprio. Este passo foi sem dúvida para mim o mais difícil, voltar às consultas com a minha psicóloga de eleição, como se o trabalho árduo tido anos antes se tivesse desvanecido em mim. O que se revelou errado, os motivos eram outros, mas o EU era o mesmo.

 

Entretanto a medicação revelou-se errada, tive de consultar uma psiquiatra, mudei a medicação que mantive até há pouco tempo e continuei a psicoterapia até ter vindo residir para cá.

 

Em Março deste ano, ponderei, reflecti e achei que era chegada a hora de largar o pouco que me prendia aquele diagnóstico: a medicação.

Consultei o meu médico de família cá e regressei a casa com a indicação de tomar metade da dosagem da medicação habitual, já naquele dia.

 

Começou o descalabro: muita irritabilidade, novamente o choro fácil, pesadelos, mal-estar geral.

Fiquei amedrontada, questionei-me se isto seria apenas durante a fase de desmame da medicação ou este seria o meu novo EU!

 

Tranquilizaram-me amigas e sobretudo a minha psicóloga (sim, apesar dos quilómetros que nos separam, nunca, nunca deixou de estar presente!) tudo isto era normal nesta fase, que, apesar disso deveria ter sido menos abrupta e mais gradual.

Passou-se um mês, mas o corpo continuava a dar sinais de ressaca, pelo que a conselho do médico continuei com metade da dosagem por mais dois meses.

 

Devo confessar que nunca pensei que fosse tão difícil, principalmente as noites, o sono mais leve, agitado com pesadelos, esta irritabilidade constante, falta de paciência, a mudança de humor, como se regredisse naquilo que sentia e no que era.

 

Na próxima semana entrarei numa nova fase, nova diminuição de dosagem e posterior toma em dias alternados, mas uma vez receio o que advirá, agarro-me ao facto de ser apenas uma fase e de saber que tarda nada estarei livre de tudo isto.

 

 

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publicado às 18:22



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