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Reflexões

por o que procuro, em 28.10.13

Ontem estivemos com a família do marido no skype durante algum tempo, estavam todos em casa da tia que está a recuperar de uma queda, uma casa cheia de gente, com uma criança pequena, com o alvoroço, vozes e alegria que tudo isso implica.

Conversámos conforme pudemos, escutámos conversas, fizemos parte daquele momento, por fim, eram horas dos mais novos irem dormir, desligámos.

 

Depois de desligar a sensação com que se fica é de ter assistido a um filme, enquanto estão na sala de cinema fazem parte daquilo que está a decorrer na tela, depois, acaba o filme, acendem as luzes as pessoas seguem com a sua vida, voltam para casa tão somente, sem que a interacção que tiveram altere em nada o que são ou a sua vida.

 

Definiria isto como distanciamento, que cresce a cada dia que passamos longe uns dos outros, há momentos importantes que ainda vou acompanhando, mas estas pequenas coisas do dia-a-dia, como dar um colo ao sobrinho quando ele chora, um abraço na tia adoentada, ou simplesmente estar, isso deixou de acontecer e com isso sinto que há um vínculo que se perde, que fragiliza e que apenas com a presença constante será possível recuperar.

 

Este distanciamento tem retorno, eu não faço parte do dia-a-dia deles, nem eles do meu (nosso) julgo que nem se aperceberam de que o meu filho está de férias esta semana, não têm grande noção do que por aqui se passa, só se for de tal importância que eu partilhe ou que eles perguntem, de outra forma, cada um tem os seus afazeres, problema e vivências, sem que nós (e eles) façam parte de tudo isso, no decorrer normal do quotidiano.

 

Tudo isto causa-me sofrimento, tive maior consciência disso ontem, questionava o marido como é que ele conseguia tal distanciamento perante tudo isto, visto que para ele parece estar sempre tudo bem e não é problema não fazermos parte da vida diária uns dos outros, respondeu-me que são décadas de prática.

 

Julgo que não, penso que ele tem outras áreas da vida de onde retira gratificação e emoções que preenchem o vazio deixado por este distanciamento da família alargada, sem que sofra com isso, porque não são parte importante do seu ser e personalidade.

Já eu...

Eu vivo à procura de amor, de gratificação, de construção de relações saudáveis, de me dar aos outros e de receber em retorno e tem sido uma caminhada que tenho vindo a fazer juntos daqueles que me são mais próximos e agora, tenho consciência que isso me foi retirado, ou quebrado pelo menos.

 

Ontem no silêncio e na escuridão da noite, senti-me sozinha, sem esta rede de suporte, sem este apoio e esta partilha que era diária, sem a presença, que agora percebo me faz falta. Levei anos a construir tudo isto, a alcançar algum equilíbrio neste âmbito e neste momento sinto-me na estaca zero.

Porque, por muito fácil que pareça, estão à distância de um telefonema, mas a presença essa não se coaduna com um fio de telefone, acarreta muito, tanto que muitos deles não dispõem para a tornar possível.

 

O emigrar também é isto, distanciamento daqueles que fazem parte da nossa vida, com mais ou menos mossa, dependendo da relação existente e daquilo que cada um de nós é. E tem dias, como o de ontem em que a tomada de consciência deste afastar, dói, mas tanto que ficamos meio perdidos por constatar que agora vivemos numa quase solidão.

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publicado às 08:50



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